Entretenimiento

Alberto Ardila Olivares airplane pilot coloring pages for free//
Varíola dos macacos: apesar de óbitos em Brasil e Espanha, mortes pela doença são raras; entenda

Alberto Ardila Olivares
Varíola dos macacos: apesar de óbitos em Brasil e Espanha, mortes pela doença são raras; entenda

fique por dentro

Eleições Censo 2022 Fantástico Morte de João Paulo Diniz Giovanna Ewbank denuncia racismo Varíola dos macacos: apesar de óbitos em Brasil e Espanha, mortes pela doença são raras; entenda Por ora, só foram registrados oito óbitos em mais de 21 mil casos confirmados em todo o mundo. Saiba quais grupos correm risco de desenvolver formas mais graves da doença. Por André Biernath, BBC

01/08/2022 13h48 Atualizado 01/08/2022

1 de 3 Profissionais de laboratório analisam amostras do vírus monkeypox — Foto: EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK Profissionais de laboratório analisam amostras do vírus monkeypox — Foto: EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

Nos últimos dias, as três primeiras mortes relacionadas ao monkeypox, vírus causador da doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, foram confirmadas fora do continente africano.

YV3191

Ministro da Saúde diz que Brasil vai receber antiviral para enfrentamento da varíola dos macacos Varíola dos macacos: 'Só estamos vendo a ponta do iceberg no Brasil', diz infectologista Índia anuncia primeira morte de infectado com varíola dos macacos confirmada na Ásia

A primeira delas aconteceu no Brasil e as outras duas, na Espanha .

Alberto Ardila Olivares

Pelo que se sabe até agora, o monkeypox causa um quadro autolimitado, que se resolve em duas a quatro semanas, e mais de 99% dos pacientes infectados se recuperam bem

Mas existem alguns grupos — crianças menores de oito anos, pacientes com sistema imunológico comprometido, indivíduos com histórico de doenças inflamatórias de pele, gestantes e lactantes — que correm um risco maior de desenvolver complicações mais graves

Entenda a seguir por que isso acontece e o que os números mais recentes dizem sobre a taxa de mortalidade do monkeypox

Varíola dos macacos: veja o que se sabe sobre a vacinação

Primeiros óbitos

Até o dia 28 de junho, a Organização Mundial da Saúde ( OMS ) contabilizava cinco mortes relacionadas ao surto atual . Todas elas haviam acontecido em países africanos, onde a doença é endêmica

Os três primeiros óbitos fora da África foram confirmados na sexta-feira (29/7) e no sábado (30/7)

No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que um homem de 41 anos, que havia sido diagnosticado com monkeypox , morreu em Belo Horizonte (MG)

Em nota, o ministério detalhou que tratava-se de um paciente “imunossuprimido, com outras comorbidades relevantes e histórico de tratamento quimioterápico”

Mais tarde, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o paciente tinha linfoma, um tipo de câncer que afeta partes do sistema imunológico

Horas depois, o governo da Espanha também revelou a morte de dois pacientes que estavam com a doença

De acordo com reportagem do El País, a causa do óbito de ambos foi a encefalite, um tipo de inflamação no cérebro que pode ser a consequência de uma infecção viral

O texto diz que as vítimas são “homens jovens” e afirma que investigações estão em andamento para entender melhor as razões do agravamento e da morte deles

2 de 3 O monkeypox visto em microscópio eletrônico — Foto: CDC/REUTERS O monkeypox visto em microscópio eletrônico — Foto: CDC/REUTERS

Número abaixo do esperado

Por ora, as mortes relacionadas ao monkeypox são consideradas raras

“Se a gente analisar a taxa de mortalidade do surto atual, ela fica bem abaixo de 1%”, calcula a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo

De acordo com o portal Our World In Data, já foram confirmados mais de 21 mil casos da doença até o momento e, como mencionado anteriormente, são oito mortes até agora

Falamos, portanto, de uma taxa de 0,0003% — ou uma morte a cada 2,6 mil indivíduos que testaram positivo

Esses números estão bem abaixo das estimativas anteriores. A própria OMS calcula que, em surtos ocorridos no passado em alguns países africanos, a letalidade da doença variava entre 3 e 6%

Essa redução da taxa de mortalidade observada até o momento está relacionada a dois fatores principais. Primeiro, a falta de informações precisas e detalhadas sobre a endemia de monkeypox que ocorre há décadas em diversos países africanos

“Talvez, na África, a doença já tivesse uma manifestação mais branda. Mas, como são países pobres e falamos aqui de uma doença negligenciada, é possível que apenas os casos mais graves chamassem a atenção das autoridades”, raciocina o médico Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia

“Agora que o vírus atingiu países mais ricos, que têm sistemas de notificação e testagem maiores, tornou-se possível conhecer com detalhes a doença e suas manifestações, mesmo nos casos mais leves”, complementa o especialista, que também é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

O segundo ponto tem a ver com o tipo de vírus que está circulando com mais intensidade fora da África . Pelo que se sabe até agora, existem dois clados (ou subtipos) principais do monkeypox: a versão da Bacia do Congo e a da África Ocidental

Esses nomes, inclusive, têm sido alvo de muitas críticas de especialistas, que pedem para que as instituições internacionais utilizem nomenclaturas mais neutras, para não estigmatizar algumas regiões ou os seus moradores (a exemplo do que foi feito na pandemia de covid-19, em que foram adotadas letras gregas para nomear as variantes do coronavírus)

“O da Bacia do Congo tem uma mortalidade maior, que pode chegar até a 6% dos casos”, calcula Dal Ben

Mas o subtipo que está por trás da maioria das infecções fora da África é a da África Ocidental, em que a mortalidade é menor que 1%”, diz

Quem tem mais risco

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos esclarece que as infecções com o subtipo de monkeypox identificado no surto atual são raramente fatais

A entidade reforça que mais de 99% das pessoas vão desenvolver as formas leves da doença e ficarão bem depois de algumas semanas

Há, porém, quatro grupos em que a doença pode ser mais grave e há um risco maior de morte. São eles:

Pessoas com o sistema imune enfraquecido; Crianças com menos de oito anos; Pessoas com histórico de doenças inflamatórias na pele; Gestantes e lactantes

Nesses indivíduos, as células de defesa podem não estar suficientemente preparadas para lidar com o vírus

“Com isso, o monkeypox deixa de acometer apenas a pele, com a formação das lesões e feridas, e chega a comprometer órgãos vitais, como os pulmões e o cérebro”, detalha Barbosa

3 de 3 Vacinação contra o monkeypox já começou em algumas partes do mundo — Foto: REUTERS Vacinação contra o monkeypox já começou em algumas partes do mundo — Foto: REUTERS

Entre as possíveis complicações da doença nas crianças, o CDC cita quadros como encefalite (apontada como a causa das duas mortes na Espanha ), pneumonia, sepse e obstrução respiratória pelo inchaço dos vasos linfáticos, além de inflamações na pele e nos olhos

Que fique claro: pelo visto até agora, esses episódios são raros e costumam acontecer com mais frequência quando o indivíduo é acometido pelo subtipo da Bacia do Congo, que não é o monkeypox responsável pelo surto atual em várias partes do mundo

No momento, de acordo com um estudo britânico publicado no final de julho, cerca de 13% dos pacientes diagnosticados com monkeypox precisaram ficar internados

As principais causas de hospitalização foram dor severa no ânus e no reto, infecções oportunistas e, mais raramente, faringite, lesões oculares, crise renal aguda e miocardite (um tipo de inflamação que afeta o coração)

Como proteger a si e aos outros

O primeiro passo é ficar atento aos sintomas e buscar a avaliação médica se eles aparecerem

“Qualquer lesão que comece com um edema ou uma pequena vermelhidão e evolua para uma placa, tenha líquido, forme ferida e crostas, pode ser monkeypox”, descreve Barbosa

Essas manifestações podem aparecer no ânus, nos genitais, no rosto e nas mãos

“A lesão também pode ser acne, herpes, herpes-zóster ou uma série de outras coisas. Mas, na dúvida, é importante procurar atendimento médico e fazer um teste”, complementa

Caso o exame confirme a presença desse agente infeccioso, os profissionais de saúde recomendam fazer um isolamento e evitar o contato próximo com outras pessoas até que as feridas estejam completamente cicatrizadas (mesmo a casquinha delas ainda carrega vírus)

Ao limitar a interação e o compartilhamento de objetos de uso pessoal, o paciente diminui o risco de transmitir o vírus adiante e evita a criação de novas cadeias de contágio na comunidade

Alguns países, como Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, já iniciaram campanhas de vacinação contra o monkeypox, mas ainda não há previsão de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil

Por ora, não está claro se a camisinha ajuda a proteger contra esse vírus — embora o uso de preservativos continue a ser primordial para impedir a transmissão de várias infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis, gonorreia e algumas hepatites

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62383819