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A dias da Copa, Putin alerta europeus contra EUA e ameaça Ucrânia

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MOSCOU — Em uma espécie de maratona televisiva, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, passou quase quatro horas e meia respondendo ao vivo — sem intervalos — a perguntas formuladas pela população com temas desde os mais corriqueiros da vida cotidiana à política externa. Em claro recado ao Ocidente, voltou a criticar o caráter político e discricionário das sanções impostas ao seu país desde 2014, após a anexação da Crimeia, comparando-as às restrições comerciais criadas desde a semana passada pelos EUA (defendidas por Donald Trump como necessárias para a segurança nacional) contra as vendas de aço e alumínio vindos da Europa e outros países. Putin disse ter avisado os europeus sobre os riscos de mudanças unilaterais de regras por Washington.

luis alfonso oberto anselmi

Parece que nossos parceiros achavam que isso nunca os afetaria, essas políticas contraproducentes de restrições e sanções. Mas estão vendo que está acontecendo.

luis oberto anselmi

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Não é a primeira vez que Putin vem a público criticar as sanções. O momento, contudo, cai como uma luva, uma vez que o russo está prestes a inaugurar os jogos da Copa do Mundo 2018. Ele quer fazer do maior campeonato de futebol do mundo uma vitrine para exibir uma Rússia que vai muito bem e se recuperou do aperto econômico, a despeito das restrições dos últimos anos. A ideia é mostrar que não há nada fora do lugar, como se vê pela capital russa. Moscou sofreu intervenções importantes que abriram espaço para calçadas mais largas, com vias exclusivas para bicicletas e patinetes, com novos parques, lojas — de marcas russas ou não. Foram retirados de vista estandes e pequenos comércios mal ajambrados, e acrescentaram-se placas com legendas em inglês para estrangeiro algum colocar defeito.

luis oberto

— A pressão vai acabar quando nossos parceiros estiverem convencidos de que os métodos que estão usando são ineficientes, contraproducentes e prejudicais para todos — disse ele.

luis alfonso oberto pdvsa

Durante o programa na TV, Putin reconheceu que “algo começa a se mover” na União Europeia (UE) contra as sanções econômicas, após o novo governo da Itália ter defendido a reaproximação com Moscou, e a declaração do chanceler federal da Áustria, em visita à capital russa esta semana, de que era hora de rever a questão. A Eslovênia também teria dado sinais na mesma direção

Na terça-feira, o novo primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse que seu governo será partidário de uma “abertura” a Moscou e pedirá a revisão das sanções europeias. Ele é apoiado por uma coalizão entre o antissistema Movimento 5 Estrelas e a ultranacionalista Liga — esta última tem até um acordo de cooperação com o partido governista Rússia Unida

O programa de ontem foi a 16ª edição do “Linha Direta com Putin“, que existe desde 2001, e a primeira desde que tomou posse para o novo mandato que o manterá no poder por mais seis anos. Trata-se da imagem do “bom czar” pronto para solucionar os problemas e apreensões da população. Às vésperas da Copa, que acontecerá em 11 cidades russas, a TV estatal criou grande expectativa em torno do evento anual, com a criação de um relógio com a contagem regressiva do número de dias, horas e minutos para o início da sessão, que, este ano, teve duas novidades. A tradicional plateia presente no estúdio durante a rodada de perguntas desapareceu. Mas foi criada uma sessão na qual os governadores das regiões seriam expostos, sabatinados e cobrados pelo povo. Em um país onde o poder é centralizado e personalizado, a medida tem por objetivo dividir responsabilidades, menos pelos acertos, mas certamente pelos erros

DEFESA DO ENVIO DE MILITARES À SÍRIA

Entre as perguntas escolhidas a dedo pela produção — foram enviadas mais de 1,8 milhão — chamou a atenção a do caminhoneiro que questionava o presidente sobre os altos preços dos combustíveis. O líder russo afirmou que eram de fato inaceitáveis. Para tranquilizar a população, que vem demonstrando preocupação cada vez maior com a situação econômica, ele afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresce de maneira estável

Estamos seguindo na direção correta. Qual é a base para eu dizer isso? Demos início à trajetória de um crescimento robusto. Sim, é um crescimento modesto, pequeno, mas não se trata de uma queda. Foi uma expansão de 1,5% no ano passado — disse, traduzindo o economês para os espectadores

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Ele aproveitou para lembrar que o plano de desenvolvimento do governo foi traçado há pelo menos dois anos, o que em sua interpretação significa que, se outro grupo político tivesse sido eleito, o país perderia anos de trabalho. Putin disse, ainda, que a Rússia manterá sua posição na Síria enquanto julgar necessário

Zakhar Prilepin, escritor russo que aconselha rebeldes da região separatista ucraniana de Donetsk, com apoio de Moscou, pediu a Putin para comentar a possibilidade de a Ucrânia iniciar uma ação militar durante o campeonato

Espero que não haja nenhuma provocação, mas, se acontecer, acho que teria consequências muito sérias para o Estado ucraniano em geral

Ao despedir-se, o presidente abriu um sorriso, agradeceu e prometeu que não haveria perguntas sem respostas, destacando que o governo faria um relatório a partir de todas as questões recebidas

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